Depois de todo noivado... vem o casamento, é claro! Pelo menos, é o que se espera quando um casal de amigos anuncia que está noivo. E todos ficam curiosos para saber a data e, principalmente, o local do esperado acontecimento.

Nos dias de hoje, em que há mais liberdade para as uniões entre religiões diferentes, os noivos procuram estabelecer um consenso na hora de decidir sobre a cerimônia que melhor atende a expectativa das famílias. Foi por isso que decidi falar um pouco dos vários tipos de solenidades que existem para o dia mais importante da sua vida.

Hoje, é a vez do casamento ortodoxo. Para a ortodoxia, o matrimônio é um verdadeiro sacramento. As liturgias são bem parecidas com as do catolicismo antigo. No Brasil, a cerimônia tem uma parte em grego, e outras traduzidas para o português.

O ritual, bastante rigoroso, carrega uma série de simbolismos religiosos, como a dança de Isaías. É dividido em duas etapas, o noivado e a coroação.

Na Igreja ortodoxa, o "sim" diante do altar não é declarado. Afinal, a presença dos noivos que pedem a bênção de Deus para a união é a maior prova de que eles querem viver juntos, não é mesmo?

O casamento ortodoxo pode ser celebrado por um ou vários padres e, conforme a escolha dos noivos, pode também contar com a participação do arcebispo.

A cerimônia se realiza segundo o antiqüíssimo rito bizantino, na antiga Constantinopla, hoje, Istambul. A maior parte dela é cantada e começa com a invocação da Santíssima Trindade, enquanto os noivos são abençoados e reverenciam o livro dos Santos Evangelhos, beijando-o.

Depois, vem a litania diaconal, que são súplicas em favor do casal, lembrando a presença de Jesus nas bodas de Canaã, na Galiléia, onde realizou o primeiro milagre, transformando a água em vinho. Também é relembrada em orações a união do primeiro casal (Adão e Eva) abençoado pelo Criador para viver em família. Ora-se, ainda, pelos pais dos nubentes e seus padrinhos.

Chega, então, o momento mais esperado: a troca de alianças. Elas são abençoadas e colocadas nos dedos dos noivos pelo celebrante, que faz com elas o sinal da cruz sobre o casal. A oração para este momento pede que Deus os una "num mesmo coração". Não é emocionante?

Um detalhe curioso: para os ortodoxos, aliança no dedo anular da mão direita indica casamento, e na mão esquerda, noivado. A ordem contrária no Brasil foi acatada nas cerimônias de casamentos brasileiros.

A segunda parte do ofício é a coroação. As coroas podem ser feitas de ramos de folhas e flores, conforme a tradição grega, ou de ouro e prata, na tradição russa. São colocadas pelo padre na cabeça dos noivos e trocadas três vezes, como um símbolo de alegria, mas também de sacrifício que o casal deve assumir diante da união, que, bem sabemos, envolve todo casamento.

Esta é a parte mais significativa da cerimônia, porque representa o compromisso entre o homem e a mulher. Aquilo que todos nós queremos: amizade, carinho, compreensão na alegria e na tristeza.

Pronto! Os noivos são agora casados! Bebem da mesma taça de vinho, relembrando o milagre da festa de Canaã. Segue-se a leitura da Epístola, do Evangelho e a oração do Pai Nosso.

O celebrante, então, conduz o casal a três voltas no sentido anti-horário em redor do altar, que representam a dança de Isaías. Esta é a primeira caminhada dos recém-casados e a Igreja, na pessoa do sacerdote, os conduz pelo caminho em que devem andar. O círculo, no centro do qual está o Santo Evangelho, é uma perfeita órbita ao redor da vida cristã, Jesus Cristo e seus ensinamentos.

São três voltas para honrar e glorificar a Santíssima Trindade, e no sentido anti-horário por Deus ser Eterno, para que sua eternidade encontre reflexo na união do casal.

É um verdadeiro juramento do casal para trilhar juntos, para sempre, o caminho de Deus. De volta ao lugar, o casal recebe a bênção final, beijando o Santo Evangelho.

É uma linda cerimônia!

Na próxima semana, eu conto um pouco sobre o casamento católico apostólico romano.

Até lá.


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